Dados para Humanos

Como assim "para humanos"?

1/6/2026

Na era do excesso de opções, o nosso cérebro é levado ao limite, esgotado pelo peso cognitivo de processar um volume enorme de escolhas todos os dias. A "fadiga de decisões" explica o fenômeno em que a qualidade das nossas escolhas cai diante do excesso de decisões tomadas ao longo do dia.

Some a isso a pressão social gerada pelo excesso de opiniões de estranhos na internet, amplificado pelas redes sociais e pela nossa necessidade de validação. Isso prejudica ainda mais a capacidade de filtrar o que é trivial, e nos torna reféns de expectativas externas, vivendo de forma reativa e desconectada do que é essencial.

No mundo do Power BI, vejo cada dia mais profissionais com dificuldade de começar e terminar um painel de dados. A armadilha gerada pela falsa urgência de aprender a última biblioteca de Python, a última plataforma de automação ou o último modelo de AI, faz com que projetos aparentemente simples virem monstros desnecessariamente complexos.

Em meio às minhas leituras, me deparei com um texto antigo do Kenneth Reitz (criador da biblioteca “requests: http for humans”). No texto, ele explica a filosofia “para humanos”: a ideia é que o processo de desenvolvimento deve priorizar a criação de um código que seja intuitivo e auto explicativo, reduzindo a carga mental necessária para entender o seu funcionamento e tendo como foco a resolução de um problema humano (em vez de focar na eficiência da máquina ou na pureza teórica da implementação).

A mesma lógica se aplica ao desenvolvimento de paineis de dados no Power BI: o elemento humano é a característica mais importante do projeto. A interação do usuário que vai tomar decisões com base em um painel de dados deve ser a mais natural e previsível possível, para que a decisão seja o centro das atenções (e não o aspecto técnico do desenvolvimento).

Ao remover complexidades desnecessárias e respeitar a atenção do usuário, um painel de dados “para humanos” gera uma relação de confiança entre o usuário e a ferramenta. O painel deixa de ser apenas uma ferramenta para se tornar uma extensão do pensamento do usuário, permitindo a tomada de decisões melhores com menos esforço e mais prazer.